Em novembro, Belo Horizonte recebe pela primeira vez o Fest In Brasil-África, projeto que celebra a cultura lusófona, reunindo nomes da música africana e brasileira Felipe de Jesus - Siga: @felipe_jesusjornalista 29 de outubro de 2026 Cultura, Minas Gerais, Notícias, Variedades 28 e 29 DE NOVEMBRO GRANDE TEATRO SESC PALLADIUM Ingressos à venda nas bilheterias do teatro e Sympla.com.br https://bileto.sympla.com.br/event/128946 Em sua primeira edição em Belo Horizonte, o Fest in Brasil–África tem como propósito a valorização da diversidade musical e da riqueza cultural dos países africanos de língua portuguesa. Consolidando-se como um importante circuito de intercâmbio artístico entre diferentes territórios da lusofonia, o festival será realizado em Niterói e Belo Horizonte no final de novembro, mês que celebra a consciência negra. O Fest in Brasil-África acontecerá no Grande Teatro SESC Palladium, dias 28 e 29 de novembro, com shows de Maurício Tizumba (Brasil), Patche Di Rima (Guiné-Bissau), Marcos Sacramento & Zé Paulo Becker (Brasil), Lenna Bahule (Moçambique), Hamilton de Holanda (Brasil), Rallie (Brasil) e Filipe Mukenga (Angola). À frente do Fest In Brasil-África, respondendo pela idealização e direção geral, está Daniel Rodrigues, que nos anos 1990 criou e produziu em Salvador nove edições do hoje histórico Fest in Bahia. Daniel Rodrigues foi empresário de Gilberto Gil (1972 a 1991); curador artístico da Noite Brasileira do Montreux Jazz Festival (1997 a 2009) e criador dos festivais Brazilian Day London e Brazilian Day Portugal. CONEXÕES ENTRE OS PAÍSES LUSÓFONOS A proposta do Fest in Brasil-África é apresentar um recorte representativo da música e da cultura dos países lusófonos, reunindo artistas do Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Ao destacar a pluralidade de ritmos, tradições e expressões contemporâneas, o festival se posiciona como uma plataforma de diálogo entre culturas que compartilham a língua portuguesa, mas que possuem identidades sonoras únicas e profundamente enraizadas em seus contextos históricos e sociais. Mais do que uma sequência de shows, o evento propõe uma experiência cultural ampla, incentivando conexões entre artistas e públicos diversos. A programação inclui apresentações musicais, encontros artísticos e momentos de troca que reforçam o papel da música como ponte entre povos. Em um momento em que a valorização das identidades culturais ganha ainda mais relevância, o Fest in Brasil-África surge como um espaço de celebração e reconhecimento das heranças comuns e das singularidades que compõem o universo lusófono. Ao reunir nomes representativos da música brasileira e africana, o Fest in Brasil-África oferece ao público a oportunidade de vivenciar diferentes linguagens musicais, dos afro-sambas aos ritmos africanos, além de fusões contemporâneas. Essa diversidade reafirma o compromisso do evento em ampliar horizontes e estimular a circulação de artistas entre os países participantes. Com uma proposta que une diversidade, intercâmbio cultural e excelência artística, o Fest in Brasil-África se posiciona como um marco no calendário cultural de 2026. Ao promover encontros entre artistas de diferentes países lusófonos, o festival reafirma a música como linguagem universal e fortalece os laços entre culturas que, embora separadas geograficamente, compartilham uma herança comum. A expectativa é de que o evento não apenas encante o público, mas também contribua para a ampliação do diálogo cultural entre os países participantes, abrindo caminhos para futuras colaborações e consolidando o Brasil como um importante ponto de conexão da cultura lusófona. Belo Horizonte recebe uma programação especial dentro do Fest in Brasil-África, reunindo artistas de forte representatividade cultural e trajetórias marcantes, conforme o line-up abaixo. PROGRAMAÇÃO – 28 DE NOVEMBRO (SÁBADO) # 19H30 – MARCOS SACRAMENTO & ZÉ PAULO BECKER CELEBRAM 60 ANOS DOS AFRO-SAMBAS Um encontro de gigantes: a voz poderosa de Marcos Sacramento e o premiado violão de Zé Paulo Becker mergulham no repertório sagrado dos Afro-sambas, obra-prima de Baden Powell e Vinicius de Moraes que resultou em um dos discos mais reverenciados da música brasileira. Em 2026, o disco “Os Afro-sambas” completa 60 anos — e é tempo de celebrar essa preciosidade que, desde 1966, ocupa um lugar único na nossa história musical. No espetáculo, a dupla revisita na íntegra o álbum, com clássicos como Canto de Ossanha e Canto de Xangô, marco da fusão entre o samba, as matrizes africanas e a canção brasileira, ampliando a experiência com canções que orbitam esse universo, como Berimbau e Labareda. Marcos Sacramento, natural de Niterói (RJ), é reconhecido como uma das vozes mais expressivas e versáteis da música popular brasileira contemporânea. Em atividade desde a década de 1980, o cantor, compositor e letrista construiu uma trajetória sólida no samba e na MPB, destacando-se pela interpretação dramática, extensão vocal e refinado apuro estético. Ao longo de quatro décadas de carreira, Sacramento lançou diversos álbuns aclamados pela crítica especializada. Zé Paulo Becker, violonista e compositor, tem 17 discos gravados, cinco com o Trio Madeira Brasil e mais doze de sua carreira como solista. Em 2025 lançou o elogiado álbum “Choro y Salsa”, composto de 12 músicas autorais. Como compositor é parceiro de Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, Roque Ferreira, Mauro Aguiar, Edu Krieger, Moyseis Marques, Tiago Torres da Silva e Pedro Luís, entre outros. # 20H30 – MAURÍCIO TIZUMBA Um dos grandes representantes da cultura popular mineira, Maurício Tizumba é cantor, compositor, ator e percussionista, reconhecido por seu trabalho de valorização das tradições afro-brasileiras. Com uma carreira consolidada, ele é referência na preservação e difusão do congado, manifestação cultural de origem africana profundamente enraizada em Minas Gerais. Mais do que um músico, ele é um artista plural que transita com maestria entre o canto, a percussão, o teatro e a direção artística, transformando o palco em um espaço de celebração e resistência. Por meio do toque marcante do congado e de sua inconfundível presença cênica, Tizumba reverencia os saberes ancestrais e renova a identidade cultural de Minas Gerais. Sua trajetória artística funciona como um elo vivo entre gerações, mantendo vibrantes ritmos como o tambor, a marujada e o canto coletivo. Com uma energia contagiante e profunda sensibilidade, ele consagra a arte popular não apenas como espetáculo, mas como um ato essencial de memória, pertencimento e alegria. Maurício Tizumba é uma verdadeira força da cultura mineira, cuja arte pulsa no cruzamento entre a tradição afro-brasileira e a contemporaneidade. # 21H30 – PATCHE DI RIMA Verdadeiro embaixador da cultura guineense, Patche Di Rima está prestes a celebrar 20 anos de carreira como artista profissional. “Sou guineense, e é na música tradicional do meu país que me encontro, que me conheço, que me defino. Meu papel é compartilhar e transmitir a cultura guineense pelos cinco cantos do mundo”, afirma Patche Di Rima. Ele tem cinco álbuns gravados e está presente em várias compilações ao redor do mundo. Primeiro, aventurou-se no rap com um sucesso relativo, mas tinha sede de fazer mais e melhor. Passou pelos grupos Solo Crioulo e Mantambeza, onde adquiriu experiência e maturidade no palco, antes de seguir carreira solo. A música de Patche Di Rima combina os ritmos tradicionais da Guiné-Bissau, como o gumbé, a tina e o singa, com o afrobeat e a world music. Um estilo único e original que ele batizou de Sikó. Em suas músicas, ele utiliza dialetos tradicionais guineenses, como o crioulo, o pepel, o manjaco, o fula, o mandinga e o soussou, tornando-se uma das maiores referências musicais do seu país. PROGRAMAÇÃO – 29 DE NOVEMBRO (DOMINGO) # 18H00 – LENNA BAHULE Cantora, compositora e arte-educadora Lenna Bahule é originária de Moçambique. Ela é conhecida por seu alcance vocal e arranjos sofisticados, além de ritmos vibrantes que misturam sons tradicionais e contemporâneos de Moçambique e de outras culturas afro. Seu estilo de música transcendental é caracterizado pelo uso da voz como instrumento e de materiais orgânicos para produzir música, letras em diferentes idiomas africanos e imaginários e experiências imersivas de corpo-mente-alma. Lenna Bahule colaborou com músicos de todo o mundo, incluindo nomes renomados como Varijashree Venugopal (Índia), Mélanie Bourire (Ilhas Reunião, Virginia Rodrigues (Brasil), Mû Mbana (Guiné-Bissau), Paulo Flores (Angola) e Stewart Sukuma (Moçambique). Sua discografia é composta por dois álbuns autorais (“Nômade” e “Kumlango”), outro só com canções e brincadeiras populares de Moçambique (“Memórias Daqui- cantares e outros sons”). # 19H30 – HAMILTON DE HOLANDA TRIO Referência mundial na música instrumental, o bandolinista e compositor carioca Hamilton de Holanda é aclamado por revolucionar a execução do bandolim ao reinventar o instrumento com a adição de 10 cordas. Criado em Brasília, onde consolidou sua formação acadêmica em composição, o músico transita livremente entre o choro, o jazz, o samba e a música erudita. Vencedor de múltiplos prêmios, Hamilton já se apresentou e gravou ao lado de ícones globais e nacionais como Wynton Marsalis, Chick Corea, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento e Gilberto Gil, mantendo uma intensa agenda internacional de concertos e projetos orquestrais. O Hamilton de Holanda Trio representa uma das expressões mais modernas e inventivas da música instrumental brasileira contemporânea. Liderado por Hamilton de Holanda, vencedor de diversos Latin Grammy Awards, com indicações ao Grammy e inúmeros Prêmios da Música Brasileira, o trio une a tradição do choro à linguagem do jazz contemporâneo com virtuosismo, emoção e liberdade criativa. Ao lado de Salomão Soares (teclados e Moog) e Thiago “Big” Rabello (bateria), Hamilton forma uma das configurações mais inventivas da música instrumental brasileira contemporânea. O trio une a tradição do choro, a liberdade do jazz e a pulsação da música brasileira em uma sonoridade sofisticada, vibrante e profundamente autoral. # 20H30 – RALLIE Nome artístico de Raimundo Lima, Rallie é um cantor e compositor baiano que iniciou sua carreira fonográfica maduro, aos 62 anos, impulsionado por um encorajamento marcante de Tim Maia, de quem recebeu o apelido. O artista ganhou destaque na cena independente pela fusão ecleticamente rica de samba, MPB, soul e ritmos afro-brasileiros. Além de seus álbuns autorais, Rallie realiza tributos à música brasileira e promove intercâmbios culturais entre a Bahia e a África. Em 2021, chamou a atenção do mercado ao lançar o álbum Imersão 32D, marcado por inovações de mixagem espacial e participações de nomes como Targino Gondim e Filipe Mukenga. Não por coincidência, Rallie abrirá o show de Filipe Mukenga, e juntos, cantarão músicas do repertório de ambos. # 21H00 – FILIPE MUKENGA Filipe Mukenga é um dos nomes mais respeitados da música angolana contemporânea. Cantor, compositor e pesquisador, sua obra reflete um profundo compromisso com a valorização das raízes culturais de Angola, incorporando ritmos tradicionais e elementos da música moderna. Com letras que abordam temas sociais, políticos e identitários, Mukenga construiu uma trajetória marcada pela autenticidade e pelo diálogo entre tradição e inovação. Sua presença no festival representa a força da música africana no contexto da lusofonia. A interlocução entre Mukenga e artistas contemporâneos brasileiros vem de longa data. Ele conheceu Djavan enquanto visitava a Angola como parte do Projeto Kalunga. Posteriormente, ele se juntou ao coletivo Canto Livre de Angola e realizou uma turnê no Brasil. Filipe Mukenga esteve várias vezes no Brasil, e já desenvolveu trabalhos com Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Cássia Eller, entre outros. O seu elogiado álbum “Nós somos nós” foi gravado no Brasil, sob a direção de Zeca Baleiro. Ivan Lins e Martinho da Vila também colaboram no disco. SERVIÇO FEST IN BRASIL – ÁFRICA EM BELO HORIZONTE LOCAL: Grande Teatro SESC Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro) – Telefone: (31) 3270-8100 DATAS + HORÁRIOS 28/11 (Sábado) – A partir das 19:30h 29/11 (Domingo) – A partir das 18:00h INGRESSOS ENTRE R$ 60,00 e R$ 200,00 PLATEIA 1 Inteira = R$ 200,00 Meia = R$ 100,00 Solidários = R$ 160,00 PLATEIA 2 Inteira = R$ 160,00 Meia = R$ 80,00 Solidários = R$ 120,00 PLATEIA 3 Inteira = R$ 120,00 Meia = R$ 60,00 Solidários = R$ 100,00 À venda nas bilheterias do teatro e sympla.com.br https://bileto.sympla.com.br/event/128946 comentários