Liderança silenciosa: o poder de influenciar sem protagonismo Redacao 9 de abril de 2026 Cultura, Notícias, Variedades Por Janaína Fidelis, psicóloga e especialista em saúde mental no trabalho Durante muito tempo, a ideia de liderança esteve associada à presença forte, inflexibilidade e protagonismo constante. Aos poucos, esse modelo começa a decair e dar lugar a uma visão mais sutil e, ao mesmo tempo, mais humana. Uma matéria recente da Forbes chama atenção para o crescimento da chamada liderança silenciosa. Segundo estudo publicado na Harvard Business Review, líderes que falam menos, escutam mais e agem com intenção conquistam confiança e influência no ambiente profissional. Esse estudo reflete uma mudança real na forma como as relações de trabalho estão sendo construídas. Em um cenário mais complexo e exigente, a confiança deixou de ser um detalhe e passou a ser um dos principais ativos dentro das organizações. Existe uma cultura ainda muito presente que valoriza quem aparece constantemente, quem opina sobre tudo e transforma a liderança em uma performance contínua. No entanto, o que se observa na prática é que o excesso de fala muitas vezes enfraquece a mensagem e pode até diluir a autoridade do líder. A liderança silenciosa não se trata de ausência, nem de retração, mas de uma escolha consciente sobre como ocupar o espaço. Liderar também envolve saber quando escutar, quando observar e quando intervir, criando um ambiente onde outras pessoas também possam se posicionar com segurança. Embora esse modelo seja frequentemente associado a perfis mais introspectivos, o que está em jogo não é a personalidade, mas a postura. Trata-se de maturidade emocional, de propósito e de uma compreensão mais profunda sobre o impacto das próprias atitudes nas relações profissionais. Na prática, é comum perceber o quanto muitos líderes ainda se sentem pressionados a demonstrar firmeza e controle o tempo inteiro. Falam mais do que gostariam, assumem mais responsabilidades do que conseguem sustentar e acabam se afastando da própria autenticidade. Com o tempo, isso gera desgaste e uma sensação constante de não serem verdadeiramente ouvidos. Diante de um cenário que exige cada vez mais sensibilidade, reflexão e responsabilidade, talvez os profissionais mais preparados sejam aqueles que compreendem que não é necessário falar mais para liderar melhor, mas sim agir com intenção, escutar com qualidade e ocupar a palavra de forma consciente. comentários